MUNDO PARALELO!

DESCUBRA!

RECOMENDAÇÃO!

Só não vá se perder por AÍ!

janeiro 17, 2010

. espelho

vivo meu dia a dia e não espero. Acordo pelas manhãs e desvio meus olhos do espelho. Meus mais implícitos sentimentos estão prestes a ser refletidos ali. Minha vida, meus amores, meus sonhos e dissabores. Tudo isso refletido no espelho dos olhos meus.

janeiro 14, 2010

....sentimento

......havia algo tão puro, tão profundo, tão precioso naquele coração, mas volta e meia era mastigado, triturado, torturado por sua gélida indiferença....

janeiro 12, 2010

where is it?

. Onde foi parar minha inspiração?
Se foi junto com a minha esperança de amor.

janeiro 11, 2010

.dor comprada

...Gosto de dores compradas e de amores sórdidos. O que fazer quando o coração de tão cansado despreza a própria condição de coração. Não precisa de verdades nem de desejos. Mas, sim de uma bela e grande dor comprada. Aquela dor que mostra o mundo e que torna poeta. De onde vem toda inspiração a não ser de um coração em liquidação? Sem o valor de um suspiro, sem o desejo de uma paixão.

janeiro 09, 2010

. Verdade 2

. Buscava o amor, mas o caminho era amargo. Dia a dia e um vazio mastigando o coração. O amor não existia era apenas um desejo indecifrável de ter um significado para viver.

...ponto e ponto.

...E eu que pensava que podia ser infinito o que eu chamava amor. Mas ele se foi, junto com minha esperança de amor.

. Teste

...Queria testar minha indiferença. Queria um dia estar perto e ver o tamanho da minha crença de que curei minhas feridas, de que finalmente me libertei e de que posso finalmente preparar chá para os fantasmas.

. persistência

...Trocarei meus dias de dor, minhas intermináveis noites sem dormir, minhas angústias latentes por uma mera indiferença.
Achava que fosse verdade o que dizia ser verdade, mas o que percebi, era apenas mais uma façanha ditada pelo umbigo do mundo.
As madrugadas aproximavam minha dor. Mas, que dor comprada, finjo sofrer para me tornar poeta. Mas a insensatez é minha fiel parceira. Procuro nos olhos teus alguma verdade translúcida. De quando em quando sinto uma felicidade implícita. De quando em quando sorrio por dentro. Mas, disfarço minhas alegrias tanto quanto disfarço minhas tristezas. Meus sonhos mais doces são mergulhados em fel e enquanto finjo dormir, exorcizo fantasmas que insistem em assombrar meu coração.

janeiro 07, 2010

;)

...o corpo cansa e a alma sorri ;)

janeiro 05, 2010

. sem inspiração

. queria poder escrever e inspirar-me nas estrelas.
Não percebo o que se passa à minha volta. Estou alienada e profundamente feliz.

askdfjsdghuogtbr

. Era um post oco, que nada dizia.
Nem misérias, nem folias.
Eram palavras sem nexo, nem convexo, nem sexo.
Era um post sem vontade de ser post . Um aglomerado de letras e palavras. Um discurso sem direção.

janeiro 03, 2010

Il vechio anno nuovo


. Era um ano novo, com aspecto de velho ano. Era uma promessa de felicidade. Era apenas uma nova data com velhos estigmas. Prefiro não esperar nada de nada. É apenas mais um ano, e um ano longo pela frente. Tem gente por aí, desejando que os anos retrocessem. Faço uma grande confissão. Não gosto de comemorar anos novos, me recolho profundamente. Um ano pode ser melhor do que o outro. Nada mais que isso. Todo o ano tem seus princípios e seus fins.

Cada ano que passa vejo menos, anulo minha percepção. Quero acreditar em novidades, mas quero boas novas. Já me basta de infortúnios. Desejo apenas paz.

Não chamo de pessimismo, nem otimismo, apenas equilíbrio tudo isto que vivo.

janeiro 01, 2010

. futuro

. e sobre o futuro, o que tenho a dizer...
ele que fique no lugar dele.

. refeições

. Mastiguei 2009 e engoli, a digestão se fez mais tranquila do que imaginava. Resta uma pequena sobremesa que me recuso a saborear. Resguardo meu apetite para 2010 com muito sal de fruta armazenado, com a expectativa de uma sobremesa mais saborosa. E mesmo com tanta fartura quem se sobressai é um grande vazio deixado por tudo que recusei degustar.

. doce

. o doce mais doce não foi ela quem me trouxe.

. primeiro dia

. O primeiro dia do ano teve início com uma sensação vazia mastigando a alma.

dezembro 29, 2009

. Criança...

. roda, roda, roda, gira ...
Gira, gira, roda roda...
minha criança interior está viva.
minha vida está salva.
Busco minha inocência que se perdeu.
Busco meus olhos risonhos.
Minha criança corre, corre
se distancia de mim.
Minha criança me abandona aos poucos.
Minha alma adulta triste e cansada se mostra.
Ouço ao longe um lamento triste..
Minha criança se deparou com a realidade.
Encontrou em seu caminho um espelho d'água
que refletia a verdade mais pura.
A criança cresceu e perdeu-se em suas próprias questões.
e então...
...Era uma vez uma criança que corria corria rodava rodava...

Espera

....Eu esperava eternamente tua volta.
Pensava sem parar.
O horizonte longínquo e solitário.
Meu coração aflito aos poucos se extinguia.
Minha espera sem fim.
Dias e noites.
Apenas uma dor como companheira.
A dor da saudade.
A quietude da paisagem e uma alma inquieta.
Um bucolismo implicito.
A história se repete.
Partidas sem chegadas.
E um coração que aos poucos morria de sede.
De fome morria um coração.

...eyes

...aqueles olhos transparentes.
Eu deixo pra você.
Quero olhos que me olhem com sinceridade e que me digam a verdade.
Aqueles olhos meigos e belos mas que omitem a verdade eu deixo para aquele que prefere a superficialidade.
Meu mundo está alem do que a aparência mostra.

dezembro 28, 2009

. conselho

. Cuide-se pequena.
Cuide de seus prantos..
cuide de sua dor.
Cuide de si, cuide de mim.
Apenas cuide-se..
não alimente fantasmas.
Não acredite em histórias de amor.
Viva um dia de cada vez.
um momento aqui outro acolá.
A felicidade é ilusoria, é momentanea o que tem que perseverar é a quietude da alma.
Cuide-se pequena, o momento é agora.

Drummond


Era um Drummond inerte.
Estático.
Era um Drummond que só aumentava nossas lembranças e que de quando em quando perdia os óculos.

..Bon jour

. Radiava uma felicidade contida. Sorria com o canto da boca...
Esperava ansiosamente o nascer do dia.
A madrugada se despedindo no raiar da aurora.
Atrás do morro, sobre o orvalho da manhã..nascia um novo dia..
O sol lhe saudava com um lindo bon jour...

.

. Era um ponto no infinito.
longinquo, esquecido.
Aquele ponto era referência, aquele ponto era poético...
Mas, era apenas um ponto que ao longe transparecia uma beleza que exalava solidão.

.naquele dia

...Era um momento mágico...um instante único...
mas não passava de uma verdade inventada.

the end

...Apenas um jogo..
um jogo de sedução...
um jogo que não dá certo.
Jogos não dão credibilidade.
eu gosto do real.

...Nostalgia 2

...Vejo um pouco de mim no horizonte, ainda resta alguns pedaços...trapos de uma pequena história...
ainda vejo o que virá...Os dias são longos e as passadas curtas. Uma fronteira à minha frente. Um momento de reflexão...
É o instante perfeito que não retorna... É a energia de um olhar. Uma palavra balbuciada com carinho. Tudo pode mudar... tudo muda...tudo segue seu rumo...Felizes ou infelizes. Nos resta fragmentos de lembranças. Nos resta migalhas. Nos resta o resto.

dezembro 25, 2009

.linguagem budista

...Meus textos, volta e meia têm uma linguagem budista. Um budismo POP.

carma

. a vida é realmente cíclica.. principalmente se tratando de carma...
se os carmas fossem manipulaveis e pudessemos escolher o fim.
Depois dizem que existe livre-arbítrio.
Sim, é claro que existe, um livre-arbítrio sacana, onde temos que seguir as regras. A regra do mérito.

. lembranças

...existem lembranças tão boas, que tornam a vida um insulto e um martírio .
Que falta faz o desapego.

.nostalgia

...Era como uma facada que vinha de mansinho, ganhava força e atravancava no meio do peito. Dilacerava cada pedaço de tecido até chegar ao ponto alvo do coração.
Aquele coração já seco e duro.
Aquele coração já pobre e cansado.
Aquele coração que não mais pulsava...
jorrava
chorava...
criava uma barreira entre outros
e aos poucos morria
morria de sede, de fome, de desejo.
morria por si só.

. Vontade.

,,,,Crescia junto aquela vontade intrínseca de ganhar o mundo. Crescia e doía. Vislumbrava o infinito. Mas suas perspectivas não eram boas. Suas perspectivas reais eram limitadas. Mas nada a impedia de pensar anos luz à frente de seu tempo.

dezembro 24, 2009

.Natal

. Não desejei nenhum presente em especial, apenas morfina, para que a dor da saudade fosse ao menos amenizada.

dezembro 21, 2009

. ela

.Ela já havia tido tantos dissabores e eu ali, ao invés de contagiá-la com um pouco da minha alegria, contribuia e somava suas tristezas.

dezembro 19, 2009

. esperança

. Embora triste e cansada. Era uma alma persistente. Mesmo depois de tantas decepções tinha um coração que batia. Dia a dia. Batia no descompasso da desilusão. Batia e volta e meia apanhava. Descanbava para uma sofreguidão solitária, e mesmo assim, a cada assovio de um vento que vinha do norte, aquele que não move moinho tampouco corações aflitos, acelereva o ritmo. Era a esperança que por ora surpreendia. Era enfim, um novo dia. E quem sabe, um novo amor. E quem sabe...quem sabe, por fim saber morrer, morrer de amor, o que viver não soube. O que ganhar não soube...

non sense

Havia, entre copos vazios e pratos quebrados, uma lata de coca-cola amassada. A tinta ja havia saído e ao invés de ler-se coca-cola lia-se co - la . Será que cola?
Ao lado de uma embalagem de pizza hut. O cheiro de podre e formigas engordando seu pequenos corpinhos. Gosto de hot dog, mas para umas linhas ficarem non sense, basta apenas colocar que havia uma bicicleta no meio do caminho. E entao, ele nunca mais comeu amendoim. E acabou.

. SE

SE arrependimento matasse, já estaria ha muito tempo morta. Minhas víceras estariam secas, desidratadas. Meus cabelos talvez ainda existisse em chumaços. Minha pele putrefada cheia de bichos. Mas, minha alma ainda vagando pelo mundo sem consciência do que acontecera, pensando apenas na culpa e na desculpa da perda, preocupando-se apenas com a solidão que na hora bate. E os dias passariam e as noites se eternezariam, enquanto uma vaga alma chora um momento perdido. Um beijo negado. Ouve-se um grito na escuridão.

overdose

Queria imediatamente um motivo para um overdose.
Uma overdose de amor, de alegria, de paixão.
Uma overdose de todos meus momentos felizes e uma overdose de você

dezembro 15, 2009

busca

Havia uma busca constante por liberdade. Um fascínio por tudo que era novo, que era distante. Uma incansável busca com o acaso. O que não esperava era o medo. Um súbito pânico abateu sobre ela no momento em que seus desejos se concretizavam. Tinha o mundo a seus pés e temeu a liberdade. Temeu o desconhecido. O repentino. Não possuia aquele desapego que tanto prezava. As dificuldades apareceram assombrando sua consciência. Seus fantasmas haviam sido exorcizados. Sua vida seguia um rumo certo. Mas, não contava com sua insegurança com o futuro. Visava demais e suas esperanças já findavam quando o telefone tocou. Sua mente voou mil metros e despencou 5 horas mais tarde. Tinha que enfrentar seus medos. O medo do que mais queria se concretizando. Mas era um medo irreal. Era na verdade uma incostância emotiva. Sentia o mundo com o coração. Sentia a vida com a mente. Seu momento não se encaixou com sua vontade, com sua expectativa. Seu momento pregou-lhe uma grande peça, porque resolveu aparecer num momento delicado de transição. Seu momento foi injusto. Seus caminhos não podem conter expectativas, pois é delas que se sucumbe. É delas que se perde o centro. O ego é para ser despedaçado, a expectativa agrega-se ao ego e o fortalece. A frustraçao vem em seguida. O que é o ego? Se não, um aglomerados certezas falsas. O ego é uma luz que cega e que atropela o que tem na frente. O egocêntrico não é amigo de ninguém, a não ser de si mesmo. O ego é tudo o que repulsamos no outro porque nos identificamos e negamos em nos. Mas, sobreviver é preciso. As máscaras sempre caem. O dia apos dia é a melhor verdade. Aquilo que pensamos ser verdade, é apenas um passo para o próprio declineo.

dezembro 13, 2009

(...)

(...) E eu que chamava de amor a minha esperança de amor.
Clarice Lispector

(...)

A hora de viver é tão infernalmente inexpressiva que é o nada. Aquilo que eu chamava de 'nada' era no entanto tao colado a mim que me era ... eu? e portanto se tornava invisível como eu me era invisível, e tornava-se o nada. As portas como sempre continuavam a se abrir.
Finalmente, meu amor, sucumbi. E tornou-se um agora.

Clarice Lispector
do livro Paixão Segundo GH

GS II

Como num poema de Gertrude Stein, doce e doce e doce e doce.

Vazio II

Sentia um vazio como nunca havia estado. Como se saltasse de pára-quedas e apenas seu corpo caísse, sua alma houvesse ficado no avião, sentindo calafrios de temor. Um vazio inexplicável. Um mergulho no âmago sem volta. Um estar perambulando. Simplesmente. Mas, nenhum vazio é suficientemente vazio quando existe ópera. O Pavarotti preenche. Existe alma no canto.

dedos mofados

As portas se fecham repentinamente, ouço um piano ao longe, presto atenção naquelas notas soando harmoniozamente uma melodia de Chopin. O céu de um tom azul torna-se mais índigo com a beleza da música. Minha alma cansada, embora triste, se faz por alguns instantes mais feliz. Mesmo quando as portas se fecham, a música devolve o colorido do dia. Meu corpo instável, minha alma aflita repudia a própria sombra. Basta de tudo que possa parecer sombrio. Busco incansavelmente a paz. Caminho até a cozinha e arrasto uma cadeira para sentar-me à mesa. A mesa está farta, mas dentre aqueles alimentos aparentemente impecáveis e suculentos, havia um cheiro podre. Meus olhos mais lerdos que meu olfato procuram em vão de onde vem aquele odor. Há algo de podre na mesa farta. E não consigo ver. Preciso por as mãos e remexer os alimentos para descobrir. Enfio as pontas dos dedos nos bolos, nos pães. Havia um bolo completamente embolorado. Aqueles fungos salientes, aquela cor esverdeada. Enfiei os dedos com prazer, e imediatamente minhas unhas se fundiram à cor de mofo. Meus dedos estavam agora coloridos e o cheiro podre tomou conta do ambiente.

dezembro 12, 2009

Se visse

e se visse a morte, ela estaria sorrindo. Se fosse partir iria rindo. Não rio e não gosto de pensar em ver alguém partir. É um senso egoísta. A morte é colorida pra quem vai. Se visse a morte sorrindo sorriria aliviada. Da vida nada se leva.

vazio

É uma sensação estranha que chega de mansinho. Soa como o vento, sussurra baixinho. Sinto um pouco de medo e minha mente se esforça intuitivamente para resgatar seu significado. Busco nas entranhas da alma e a resposta não se encontra. É um vazio que se alastra e me trazem lembranças estranhas de uma noite na infância onde o silêncio era quebrado por um coachado melancólico dos sapos solitários. E uma atmosfera de um leve pavor no ar. Tinha medo daquele coachado. Era a noite sendo engolida. E o dia nunca nascia. Tinha uma expectativa constante de ver o sol raiar, mas a chuva e aquele céu encoberto não deixavam. Um vazio na infância, já trazia uma alma intrínseca. Hoje meu vazio se estende, procuro fugir do silêncio e consequentemente de mim. Um novo ano que se aproxima, e nunca gostei de fins de ano. Sempre optei para me resguardar. Um novo ano é sempre uma grande reflexão. E sempre me questiono das possibilidades de um novo começo e de novos fins. Mas, é sempre um vazio. Um vazio que me espanta, um vazio que encanta, um vazio que nada mais é que um vazio.

GS

...Como um poema de Gertrude Stein...
Uma rosa é uma rosa ...

Decifra-me ou..

Qual é a distância entre o meu coração e o teu?
Decifra-me ou te devoro.
Não responde..
Acho que não existe distância alguma...
Melhor...
Acho que não existe nem sequer um coração.
Mesmo assim, eu te devoro.

saudades

queria que a saudade simplismente expirasse.

Meditação

Medito, medito, medito...
penso que encontro respostas.
Minhas respostas são sempre uma pergunta para a próxima questão.
A única conclusão que chego meditando, é que infinitas questões se formarão.
A busca pela simplicidade é na verdade uma intensa e complexa existência.
Existir é simples. A complexidade está em questionar a existência.
Pobres filosofos. A vida é apenas, uma questão apos a outra.
E eu não vivo. Desmereço.

Viagem

Queria descobir, de onde vem toda esta complexidade que me faz sentir o mundo na pele, gostaria de fazer uma viagem para dentro do meu SER e ver o emaranhado de sentimentos e pensamentos complexos, convexos, empíricos. Gostaria de ser simples, mais simples que uma flor, menos complexa que um olhar.

Desejo Explícito

QUERIA, QUERIA, QUERIA...
ah! DEUS sabe o quanto QUERIA.
O desejo de ao menos uma vez na vida, escrever tão bem quanto Lispector escrevia.

dezembro 09, 2009

Injustiça

...Sua face era alva, e reluzia ao sol. Mas o que realmente chocava naquele estranho espectro reluzente era a falta de expressão. Suas alegrias e tristezas não se retratavam. Parecia paralisado em uma única expressividade. Como um botox mal usado. Seu sorriso forçado parecia doloroso, esticava aquela pele oleosa e reluzente, parecia até que podia-se ouvir um barulho de espichamento, como uma mola. Conclusão nenhuma se conseguia tirar a respeito daquele ser insosso e inexpresssivo. Não demonstrava emoção alguma. Não se sabia quando estava contente ou triste. Era aquela mesma cara de peixe morto, o tempo todo. Senti a necessidade de dar-lhe uma máscara, para que pudesse colocá-lo num meio mais sociável. Justo eu que prezo pela verdade. Mas aquela falta de expressão exarcebada me causava espanto e desconforto. Pagava euros para desvendar uma gota de emoção. Fazia piadas para tentar arrancar-lhe ao menos um sorriso de canto de boca e que não fosse forçado. Mas nada, nada alterava aquele olhar de peixe morto olhando para o nada. Pensei em contratar alguns moleques para tentar assaltá-lo, para ver se expressava uma cara de medo ou de surpresa, mas no exato momento em que meus pensamentos tomavam forma, ouvimos um estrondo vindo da rua, eram dois carros que acabavam de se chocar. Olhei súbitamente para Ronaldo, para arrancar alguma expressão. E nada, continuava com aquele olhar moribundo. Não o conhecia bem e vi que as pessoas não se aproximavam dele, perguntei a algumas pessoas, o que havia de errado com ele e pra minha surpresa, já com a minha cara no chão, ouvi a resposta. Ele tem problemas de audição, é completamente surdo.

dezembro 08, 2009

Envelhecer

...Caminhava sorridente por uma calçada estreita no centro da cidade, ouvia música e estava num dia de leveza. Queria reverenciar aquele dia de céu azul. Queria sentir Deus em seus poros. Sua juventude era de uma vitalidade invejável. Tinha problemas mas não permitia que estes a consumissem. E assim vivia seus encantos e desencantos. Mas, no meio daquela calçada estreita havia uma mulher com seus 35 anos e ao seu lado não se sabe se era seu pai ou seu avô, mas era um velho rabujento e mal educado. Vinha com seus oitenta e poucos anos escorado pela mulher com uma bengala descascada na mão. Marcela, percebeu que a calçada estava estreita demais para 3 pessoas passarem e gentilmente encostou-se no muro para dar passagem ao casal. O velho com sua bengala descascada e de uma falta de educação lamentável, bateu na jovem e xingou-a. Marcela foi poupada de ouvir os xingos porque ouvia sua música. Mas aquele velho rabugento seguiu em frente, talvez com sua vida de frustrações ao ver a jovem com sua vitalidade. Talvez irritado com seu medo de saber que seu fim estava proximo. Talvez desistimulado com uma vida vegetativa presa a uma bengala descascada e ao ombro da filha. Marcela, olhou profundamente aquele velho rabugento caminhando em direção à praça e concluiu que pessoas são pessoas, não é porque são velhos que são bonitinhos e fofinhos, pois os canalhas também envelhecem.

Fonte de Inspiração

...O silêncio da madrugada a inspirava, sua pele macia sentia um leve frescor. Mas, sua vida tinha caminhos tortos, sua estrela brilhava e de tempos em tempos caía, como suas expectativas, como sua fé na humanidade. Acreditava haver salvação, mas os fatos do dia a dia a desencantava com relação ao mundo. Sua cabeça assustava, por seus pensamentos liberais e modernos. Não havia uma identificação denominada. Era por si só formada. Tinha um raciocínio lógico e preciso e sua intuição era praticamente palpável. Enfim, tinha um campo de visão priveligiado e por muito tempo foi vista e rotulada como louca, quando na verdade era uma visionária. Sentia afinidades com tudo que se tratava de paranormalidade e visualisava algumas coisas. De quando em quando sentia energias de artistas que se afinizava, e isso era uma fonte de alegria que a estimulava a viver. Lispector surgiu em sua vida como que por acaso. Gostava de escrever e a leitura era um apetitoso mundo paralelo, mas seu gosto era requintado, gostava de coisas herméticas, que a fizessem pensar. Não era à toa que seu autor preferido fosse Franz Kafka. Mas Lispector, ah! Amada Lispector, ela era sua musa. Identificava-se com Lispector à ponto de sentir a emoção subir-lhe à garganta. Lispector a levava para dentro de si com tanta força, que levava dias para voltar ao normal. Lispector escrevia para fugir de si e para que seus leitores se perdessem em seus próprios conteúdos. Embora, sua escrita talvez a puxasse para dentro de si mesma. Talvez Lispector ao fugir de si, direcionasse seus mais profundos conteúdos para nós. Estúpido daquele que se recusa a lê-la. Talvez medroso. Talvez haja um medo inconsciente de encontrar-se e perder-se. Talvez haja mais Lispector dentro de nos do que dela mesma. Talvez buscamos nossos encontros e desencontros para tentar desfocar a nossa ansiedade com o que nos irá acontecer, já que envelhecemos, já que adoecemos, já que morremos. E a pergunta prossegue...Onde estivestes de noite?

verdade

Às vezes me esforço a acreditar que as pessoas possam mudar, mas sempre acordo e vejo que a mudança é um efeito placebo. As pessoas fingem que mudam para conquistar objetivos.

dezembro 05, 2009

espelho

Acordei de sobressalto, me sinto angustiada. O dia se arrasta e meus pés não alcançam o chão. Sinto meus pensamentos se distanciando lentamente, e minha alma se corrói pela profundidade deles. Em apenas um segundo e mergulho no âmago. Como se tivesse o poder de desvendar todos seus segredos. Meus desejos num instável momento, eram de tamanha simplicidade. Desejava um espelho. Mas um espelho que retratasse meus conteúdos internos. E que a magia que o espelho tem em inverter aquilo que reflete, pudesse retratar meus pesadelos como doces sonhos. E que minha racional consciência aceitasse como se fosse a mais perfeita verdade. Meus pés há tempos não saem do chão. Sua establidade me causa um leve desconforto de quando em quando. Às vezes, me vejo implorando por um pouco de inverdades. Meu coração duro me impede de desfrutar a iusão . Minha alma é livre e intensa. Minha mente vê além do limite e me alerta sobre tudo que virá. Mesmo assim, não desisto de enfrentá-la e de tentar provar o tempo todo que um dado momento poderá me trazer uma agradável surpresa. Mas esse dia se estende, e percebo o quanto a realidade é dura. Enfim, os dias vêem e vão e o espelho que me reflete, me mantém longe da minha realidade. O espelho que me faz escrever e viajar para meus conteúdos mais intensos. O espelho que me mostra aquilo que nego, que detesto. Queria fugir de mim todos os domingos, queria encontrar comigo todas as madrugadas vagando em devaneios, rodeada de flores. Caminhando na beira de lagos azuis.

dezembro 04, 2009

CAÇA-PALAVRAS POESIA ESCONDIDA

D K J U I O K M N H G U O P P P A H I O E S P E R A R A M I U Y T H U I O
O J U Y T G F N U N C A L O I U Y T R G H U I K J H F A R A K I U Y T L K
P A R T E D R E F G H U J M N D A M I N H A O I U K J U Y H T H G K J G
L O I U Y H J V I D A O L I U Y K P O R Q U E M I U J K H G T U D O N J U
L O I U J N A O P A S S A N J U I K L O D E M H U Y T R F I L U S A O E K
S O M O S P O R N A T U R E Z A K I U Y H J M U I T O S O S J U Y H G T

ENSAIOS SOBRE A SOLIDAO
CONCRETIZANDO EM CAÇA-PALAVRAS
ACHE O POEMA SE FOR CAPAZ

SO

QUE SOLIDÃO É ESSA...
DE CORPOS DOÍDOS, DE CORAÇÕES PARTIDOS, DE GENTE QUE MENTE, DE VIDAS IMPOSTAS, DE SUBORDINADOS.
QUE SOLIDÃO
QUE DESMERECE, QUE CRESCE QUE NOS SUBMETE.
NOSSOS CAMINHOS OCOS, NOSSAS VÃNS INDECISÕES.
NOSSA ALMA HIPÓCRITA E NOSSA SOCIEDADE CEGA.

QUE SOLIDÃO É ESSA QUE NOS PRESTA SERVIÇOES
QUE ENFRENTAMOS PERIGOS, QUE NOS SUJAMOS POR POUCO.

QUE SOLIDÃO
QUE SOL LI DÃO
QUE SO
E SO.

isso só

nasço
desmereço
cresço
desmereço
sofro
desmereço
ganho
desmereço
sonho
desmereço
ando
desmereço
paro
desmereço
vivo
desmereço.
desmereço..
desmereço...
desmereço.
e só

...e depois...

...Um dia se nasce e depois...
...Um dia se cresce e depois...
...Um dia se descobre a vida, no outro se mostra e depois...
..Um dia se morre e depois...

dezembro 03, 2009

criatividade

...entre linhas e espaços escondo-me e me exponho. Parte de mim segue intrínseco. Meus poemas relatam partes de uma história real ou imaginária. Mesmo aqueles que me conhecem bem desconfiam de minhas tristezas e outrora de minhas alegrias. É a magia da criação.

um ponto final de tarde

...olha, olha o fim de tarde lindo... ouço passaros e vejo o sol aos poucos se escondendo. E uma sensação de leveza paira no ar.. Sinto aromas adocicados e a lua aos poucos vai surgindo.
Um dia a mais . E ninguem lembrou da sua última quimera.

dezembro 01, 2009

enchantée

Je me réjouis de cette belle soirée et mon cœur bat plus fort

duvida

. Queria descobrir o que existe em você que de quando em quando me faz perder o foco.

novembro 27, 2009

Prece

...E que o dia me revele o que a madrugada se recusa a revelar. Que os sonhos não passem de meros simbolos ignorados e que o destino se mostre em evidência. E que meus olhos consigam ver o que minha emoção ignora. E que minhas vivências tornem-se o mais precioso tesouro. Que meu abraço tenha um dos mais altos valores e que minhas palavras não se percam nem se deturpem. E se um dia a fatiga me tomar nos braços, que eu busque dentro de minhas próprias lembranças e experiências forças para permanecer no caminho. E que se um dia minhas verdades forem quebradas, que a verdade suprema me foque para que em meu futuro alcance meritos por mim ignorados.

sveglia

acordei bêbada de palavras, afogada em linguagens e prosopopéias. Acordei com um tilintar de gotas e um canto de pássaros. Acordei suspirando e sussurando palavras em francês. Acordei pensando, ouvindo e dizendo Je suis fatiguée. Acordei em verso e dormirei em prosa.

segredo íntimo

...Estava eu perdida em pensamentos, quando veio a chuva de mansinho, falando baixinho em meu ouvido algures sobre mim.

p.

A poesia me consome... Que me devore como mágoa. ..Que eu sucumba como mártir... Que os dias se vão... E que as árvores se descabelem no temporal.

o querer

...o querer que se queira, que se faça, que se mostre.
o querer. Apenas um mero querer. Quase não querendo querer saber o que se quer. Um quero porque quero que nada se quer. Um dito que não se diz. Um ditado que nada fala. Um silêncio na escuridão.

vazio

... .... Mesmo tendo o dia mais belo, a noite mais estrelada, a música do vento. Mesmo tendo uma vida tranquila, mesmo tendo poesia. ...... ... ... existe um vazio. O vazio que não é preenchido nem compreendido. Um vazio que se apossa, que se mostra. Um estranho vazio. O vazio do querer, do sentir, do ser. O vazio da noite, o vazio da dor. Constantemente acordo com o vazio batendo à minha porta. E eu...nem ao menos estava lá.

novembro 25, 2009

quando tudo está errado, sempre existe um caminho.
Aondeeeeeee???

novembro 22, 2009

persona

..Encantava com as palavras, com a doçura. Não precisava da beleza externa. O que tinha de mais surpreendente era sua delicadeza. Seus olhos enfeitiçavam. Ninguem entendia o que tinha de tão encantador. Sua aparência era tão diversa do normal. Provocava curiosidade. A primeira vista, causava incômodo, mas logo como num filme de Lars Von Trier, a aparência era esquecida e como se o feitiço se fizesse, todos à sua volta a acolhiam da forma mais afetiva possível. Seu mistério poderia estar em seu carisma, ou quem sabe em seu vasto conhecimento. Mas, na verdade ninguém sabia explicar. Era de um magnetismo extremo. E ao mesmo tempo de uma personalidade intrínseca. Talvez o que atraía as pessoas fosse essa introspecção implícita. Ou quem sabe mera curiosidade.
Enfim, era uma personalidade, não uma qualquer. Era diferente, intrigante, encantadora. O que todos se perguntavam:... Por que gosto tanto dela?

novembro 17, 2009

distúrbio

...O vento levava ao longe, era um belo entardecer e andava pelas calçadas irregulares de pedras soltas com seu fone de ouvidos, cantarolando um velho rock in roll. Seguia em sua frente um grupo de pessoas bem vestidas. Eram moças e repazes com seus vinte e tantos anos de idade, curtindo o auge de suas juventudes. Aquela tarde agradável com um leve vento que levava e trazia. Sentiu de súbito um aroma cítrico-adocicado que ivadiu suas narinas, seus poros seus pulmões. Marina tinha uma sensibilidade muito grande com o cheiro. Sentia o cheiro de tudo. Se entrava em um ambiente diferente, ia logo cafungando para tantar identificar o cheiro. Quando se aproximava de alguém, a primeira coisa que percebia era o cheiro. Tinha uma teoria psicologica para seu caso. Acreditava que quando a criança tinha o contato com a mãe interrompido logo após o nascimento, a criança que identifica a mãe pelo olfato, tende a desenvolver um tipo de distúrbio de comportamento diretamente ligado ao olfato. Tudo não passa de meros psicologismos. No fundo Marina tentava compreender o porque daquela fixação com odores. Ela era tão extremista que só beijava pessoas de quem gostasse do cheiro. Era uma espécie de identificação. Mas ao extremo chegava a ser considerado um distúrbio. E naquela tarde, o vento lhe trouxe de presente um aroma que Marina nunca havia sentido antes. Era um aroma mesclado, como se desse vida aos seus instintos mais sacanas. Marina como se hipnotizada, perdeu a noção de onde estava, do que fazia. Marina perdeu-se em seus próprios instintos. Marina tentou em vão encontrar a fonte daquele perfume. Marina entrou em depressão e tomou um frasco de channel numero 5.

desejo

Sentia repentinamente, uma vontade infinda de desejá-la e possui-la. Uma corrente de ar que subia nas costas, uma sensação incômoda e impensável de querê-la. E a vida a punia, a punia com a ausência, a punia com a distância. Um distanciamento de sentimento. Uma pausa dolorosa a convencia de sua insanidade. Sua pélvis se contraía e sentia formigar-lhe os lábios. Pressionava-os com fúria. Suas mãos suavam frias e encolhia os dedos dos pés com um expressivo ardor. Seu desejo era maior que sua coragem, era maior que sua timidez, era maior que sua necessidade. Seu desejo raramente se mostrava, mas quando aparecia vinha com tamanha voracidade que a deixava completamente fora do controle. Batia sua cabeça contra a parede para tentar acalmar, tirava a roupa compulsivamente e tomava banho gelado. Mas nada, nada a impedia de desejar aquela menina de olhos meigos e cabelos enrolados. Sua vontade no momento era de devorá-la, de deitar sobre seu corpo e fundir-se. Era uma vontade de que seu desejo incontrolável se tornasse uníssono ao dela e que ambas alcançassem um alto grau de ebulição e desintegrassem no universo. Enfim, não era apenas um desejo. Era uma febre, um moléstia. Adoecia de desejo. E repudiava seu próprio instinto. Morria e não sabia. Sofria um colapso, mas não sabia que na verdade era apenas, mais uma vítima do descaso.

novembro 14, 2009

falsos farsantes

..E eu pensava, pensava, pensava...na verdade não sei o que pensar, um segundo a mais e o destino se mostra. Permanecemos em um estado involuntário de vida. O que é fato é fato e pode tornar-se fatídico. Minha alma inquieta, sempre se posta de forma analítica. Sofro com meus próprios limites, porque a injustiça é uma das poucas coisas que me irrita. Disfarço um descontentamento mas a verdade se sobrepõe. Não suporto falsidades. A falsidade é patética, a verdade sempre está exposta na testa sem a máscara da hipocrisia. Admiro aqueles que conseguem um grau tão alto de falsidade que passam a acreditar na própria proposta. Posso até chamar de artista. Se ator fosse, seria um forte concorrente ao prêmio de melhor interpretação de artes cênicas e cínicas. Que desgosto que dá. Viver a vida desacreditando, vendo hipocrisias e pessoas fingindo serem amigas e acreditando que não percebemos a farsa. Mas, a vida não é feita de superficialidades e a esperança da justiça é grande. Mesmo quando existam casos em que não se vê cura. Porque a farsa é tao grande que o próprio farsante cai na fantasia. E de que me vale pensar, quando a vida é feita de fatos. Enquanto penso e analiso as situações, coisas acontecem à minha volta. E os farsantes permanecem ditando e vivendo sua farsa.

novembro 11, 2009

?

...Na calada da noite se descobre as faces ocultas. Diante da luz do dia as ações são cautelosas, mede-se as palavras, na noite, como num passe de mágica, a partida da luz revela a sombra, o lado obscuro, onde os fantasmas se postam, onde substâncias potencializam as ações impensadas. Mágoas se fazem, amizades se vão. Não se pensa, na noite se faz. A música ensurdece e as palavras se distorecem. O álibe do não lembrar, as falsetas se compõe. Até mesmo a mais serena das criaturas se altera onde impera injustiças. Na calada da noite deveriamos andar calados. Surdos, Cegos. Na calada da noite é que mostramos quem realmente somos?

novembro 10, 2009


súplica

Há tempos sentia uma vontade imensa de soltar as asas. A sensação de aprisionamento era sufocante. Uma dor no peito. Dores pelo corpo todo se fazia presente. Mostrava a renùncia do estado em que se encontrava. Vivia simplesmente seu triste cotidiano, aquela vida pequena que lhe foi dada. Mas sua cabeça ia alem, sua mente viajava o infinito. Sua alma era livre. Seu maior sofrimento era quando se deparava com a realidade, pois procurava meios de fuga, procurava viver a vida que lhe fora imposta sem reclamar. Sua condição de aprisonada, seu destino mórbido, seu dia a dia de desencantos. Seu momento era de solidão e meditação. Buscava o encontro consigo atravès do silêncio. Sua dor intrìnseca, seu sórdido desespero. Esperava Um encontro com o acaso, que sua vida sofresse um colapso e mudasse instantaneamente. Esperava um sopro divino que a levasse para longe dali. E Deus nunca a ouvia, Deus a tinha posto no mundo e a esquecido, às margens do desespero em um lugar qualquer no meio do nada. Lá nem suas súplicas eram ouvidas, nem sua ira era sentida, nem o abandono a alcançara. Sua alma livre e triste, presa a um quê de desencanto. Presa a suas misérias, limitada por uma gaiola de carne. Sua sede de liberdade era grande e aquele lugar e a condição inexistente a impediam de ser feliz, mas não de sonhar. Seus sonhos a alimentavam. Seus sonhos era a única coisa que lhe restava numa dádiva de emoção que lhe foi dada. E então, por um momento, pensou em jogar dados com o universo. Andou 5 km ao norte de uma deserta estrada, sem saber o que encontraria pelo caminho, suplicou aos céus seu desespero. Desencantada da vida, com seu rosto úmido de lágrimas, com seu coração aflito e a alma em frangalhos. Jogou suas mãos para o cèu e soltou um grito de liberdade...Leva-me Ò PAI, pois me deste a vida e esqueceste de dar-me oportunidades. Deu-me um corpo saudável e uma mente livre e esqueceu-se de me dar um caminho para que fosse feliz. Leva-me Ò Pai, porque serei aquilo que queres que seja junto de ti. E naquela linda tarde ensolarada, Deus fez-se presente, mandou-lhe ao som de um grande trovão, um raio que lhe mostrou o caminho da libertação.

A Legião Estrangeira...

...(...)Muito tempo depois percebi que era comigo q Ofelia falava.
_Acho _ acho que vou botar ele na cozinha.
_Pois vá.
Não vi quando foi, não vi quando voltou. Em algum momento, por acaso e distraída, senti há quanto tempo havia silêncio. Olhei-a um instante. Estava sentada, de dedos cruzados no colo. Sem saber exatamente por que, olhei-a uma segunda vez :
_Que é?
_Eu...?
_Está sentindo alguma coisa?
_Eu...?
_Quer ir ao banheiro?
_Eu...?
Desisti, voltei à máquina. Algum tempo depois ouvi a voz:
_Vou ter que ir para casa.
_Está certo.
_Se a senhora deixar.
Ohei-a em surpresa:
_Ora, se você quiser
_Então, disse, então eu vou.
Foi andando devagar, cerrou a porta sem ruído. Fiquei olhando a porta fechada. Esquisita é você, pensei. Voltei ao trabalho.
Mas não conseguia sair da mesma frase. Bem _ pensei impaciente olhando o relógio _ e agora o que é? Fiquei me indagando sem gost, procurando em mim mesma o que poderia estar me interrompendo. Quando já desistia, revi uma cara extremamente quieta: Ofélia. Menos que uma idéia passou-me então pela cabeça e, ao inesperado, esta se inclinou para ouvir melhor o que eu sentia. Devagar empurrei a máquina. Relutante fui afastando devagar as cadeiras do caminho. Até parar devagar à porta da cozinha. No chão estava o pinto morto. Ofélia! Chamei num impulso pela menina fugida.
A uma distância infinita eu via o chão. Ofélia, tentei eu inutilmente atingir à distância o coração da menina calada. Oh,, não se assuste muito! Às vezes a gente mata por amor, mas juro que um dia a gente esquece, juro! A gente não ama bem, ouça repeti, como se pudesse alcançá-la antes que, desistindo de servir ao verdadeiro, ela fosse altivamente servir ao nada. Eu que não me lembrara de lhe avisar que sem o medo havia o mundo. Mas juro que isso é respiração. Eu estava muito cansada, sentei-me no banco da cozinha.
Onde agora estou, batendo devagar o bolo de amanhã. Sentada, como se durante todos esses anos eu tivesse com paciência esperando na cozinha. Embaixo da mesa, estremece o pinto de hoje. O amarelo é o mesmo, o bico é o mesmo. Como na ´Páscoa nos é prometido, em dezembro ele volta. Ofélia é que não voltou: cresceu. Foi ser a princesa Hindu por quem no deserto sua tribo esperava.

Clarice Lispector
extraído do conto A Legião Etrangeira

novembro 07, 2009

tem gente

tem gente cega do ouvido e surda do olho
tem gente que magoa a gente e que não sabe amar
tem gente enganando a gente olha a vida como está...

tem gente que fala e não diz nada
tem gente que não vê o que faz.

tem gente culpando a gente
olha que ironia que a vida tras
tem gente que caga e anda e não sabe limpar.

tem gente vivendo e morrendo
sem aprendizado nenhum
tem gente que finge ter razao
e não sabe o que faz.

tem gente de ego tão grande
que não cabe no espaço que tá
tem gente que vive dormindo
e que nunca irá acordar.

mas...

Nada mais será como antes
mas, o dia insiste em nascer...
fazer o que?

novembro 05, 2009

vontade de partir

...amanhecia, o sol despontava preguiçosamente naquela madrugada. Seus raios laranja cortavam as nuvens e refletiam sobre o mar. Meu vôo estava mais do que no horário, meu embarque foi imediato, embarquei e senti a nave decolando, a sensação de tirar os pés no chão me é sempre agradavel. o tempo de vôo vai passando e a vontade de permanecer dentro e alcançar destinos ignorados era enorme. Tinha desejo de ir para qualquer lugar, de até mesmo permanecer na aeronave sobrevoando destinos insólitos. Menos aterrissar em curitiba. Não senti entusiasmo, vontade, nada me dizia você está voltando para casa. Meu pensamento era quero continuar...encontrar novos cenários, novas pessoas...quero sumir..mas, mesmo com o aeroporto operando com aparelhos o pouso se sucedeu...e aqui estou de volta à roda samsarica. Cada dia com mais desejo de partir..ir ir ir sem tempo para voltar.

outubro 27, 2009

naquele dia...

..naquele dia tudo mudou...
Desenontrei meu afeto
Desconstrui tua imagem..
Olhei com profundidade e nada encontrei. Teu vazio se superou. Minha alma caminhante se fez triste. Descobri em teu olhar teu desespero e também me perdi. Ouvi tua súplica e meu coração aflito escondeu a dor. Tua náusea sobrepôs teus instintos. Meu caminho de luz se fechou. Descobri em mim, meus maiores desafios. Meu coração aflito se fez contente. Chorei com o peito. Meu corpo se entrega à dor se fecha à vida. Um dia após o outro e ainda posso sentir-te perto. Mas a distância se torna maior. Minha distância agora é entre mim e meu coração. Os obstáculos se mostram gigantes. Me vi pensando, sentindo. Me vi viva e morta. Pergunto a mim? Onde me escondo? Meu desespero ainda é você.

cuore II

Era um coração vazio,
mas tão vazio...
que ecoava ao longe a batida rítmica...
um som frio...
um bate- bate quase apanhando...
um sei lá o que de dúvida..
na verdade, era o desespero que ecoava...
era a dor que submergia.
Não, não era apenas um coração...
Era um coração vazio, frio como gelo, duro como pedra.

outubro 25, 2009

..

TU ES
TU ES
TU ESTUESTUESTUESTUESTUESTUESTUESTUESTUESTUESTUESTUESTUESTUESTUESlunatic


JE SUIS JE SUIS JE SUIS JE SUIS JE SUIS JE SUIS JE SUIS JE SUISfatiguée


livemelivemelivemelivemelivemelivemelivemelivemelivemelivemeALONE

IDON'TBELEAVEIDON'TBELEAVEIDON'TBELEAVEIDON'TBELEAVEIDON'TBELEAVEyou..
justjustjustjustjustjustjustjustjustjustjustjustjustjustjustjustjusjutjsujsutjsutjsutjsutjsjtsutjsuBECAUSE


tupenses tupenses tu penses tupenses tupenses

JEneSUISpas fou...

tu es
LUNATIc

..

ALL YOU NEED ALL YOU NEED ALL YOU NEED AL YOU NEED ALL YOU NEED ALL YOU NEED

to take care your self...

.

. I WANT
.I WANT
I WANT
I WANT
I WANT
I WANT I WANT
IWANTIWANTIWANTIWANTIWANTIWANTIWANTIWANTIWANTIWANTIWANTIWANT


hold your hand.

outubro 22, 2009

Os Lesmas (história p n dormir)

...Era uma vez, há muitas semanas atrás um pequeno planeta que se chamava Terra e um pequeno e escondido reinado que se chamava Horta.
Horta era um pequeno povoado com muita área verde. Havia pequenas árvores umas se chamavam couve, outras alface, outras salsa. E lá havia também alguns habitantes. Havia uma diversidade de raças mas elas não se misturavam. Viviam em suas respectivas colonias, faziam seus trabalhos diários. Algumas raças preferiam o trabalho noturno.
Havia um bairro que se chamava formigueiro, lá existiam milhares de moradores. Era o Bairro CIC ( Cidade Industrial) de Horta, a grande maioria de seus moradores era operários, e trabalhavam noite e dia. Carregando peso, levando e trazendo. A procura por doce no bairro formigueiro era muito grande.., Havia uma excessão no bairro, tinha um pequeno beco, uma pequena rua sem saída, ponto de encontro entre os excluídos. Lá se encontravam às escondidas as formigas diabéticas. Eram vistas com diferença por todo o povoado. Fugiam da normalidade. E elas não eram assim porque queriam, eram assim porque nasceram com a deficiência de insulina. E como eram vistas como marginais por serem tão diferentes, promoviam encontros às escondidas em guetos.
Do outro lado de horta havia um Bairro que se chamava Caramujos, lá vivia uma pequena e estranha população que se chamava Os Lesmas.
O bairro de Caramujos era na periferia, Os lesmas era uma raça que procurava se expressar na vida noturna. Eram vistos com discriminação por terem uma aparência não muito agradável. Seres rastejantes, que fugiam de sal como superman foge de criptonita. Os lesmas era uma gangue marginal que gostava de sair aos arredores de Horta para aterrorizar os povoados maiores, onde habitavam seres biipedes e cabeludos. Os lesmas se rastejavam para dentro das casas e faziam malabarismos com suas antenas. Gostavam de ousar em suas performances. Deixar uma marca de sua passagem, aquele rastro brlihoso e nojento. Atormentavam todos os bípedes cabeludos à sua volta, invadindo suas casas comendo brioches, se sentiam escargots, seus primos franceses e chiques, mas os lesmas, não passavam de lesmas, asquerosas e nojentas. Lesmas gordas, tinha umas lésbicas que enquanto seus pais saíam ficavam em casa fazendo nhaca nhaca... Mas um belo dia, Os lesmas tiveram uma desagradável surpresa. No reino dos bípedes foi formada uma cerca. E essa cerca era composta por sal e era sal grosso. Os lesmas em um de seus passeios noturnos se depararam com a cerca de sal grosso e se derreteram.. e foram esquecidos em pedaços no meio do sodio.

sobre a morte

...Se morresse hoje, morreria feliz...
com minhas conquistas e derrotas
apegos e desapegos..
alegrias e decepções...

Se morresse,
na verdade não morreria..
deixaria com aqueles que amei e que me amaram um legado
deixaria traços de minha alegria. E ninguém choraria.. E ririam de minha passagem cômica.

E se morrer
que parece o fim para tantos,
para mim é o começo
uma nova caminhada..

se morresse
apenas morreria...

Já experimentei a morte
já vivenciei seu estado de desapego..
a primeira morte
é a morte do ego...
Essa é mais dolorosa..
é morrer em vida.

É quebrar-se em milhões de pedaços e não ter noção de como ajuntar.
É ver a vida passar à sua volta sem tem uma ponta para um recomeço.

Morrer para si é a pior morte.
A morte do corpo é o descanso.
É o mérito.

morrer por dentro é o desafio.
morrer e renascer.
renascer e morrer.

É olhar para dentro da própria solidão
e apenas encontrar o abandono.
abandonar-se e reencontrar-se.
Teu ego se esvai
teus olhos vêm mas não enxergam...

morrer na madrugada para quando amanhecer estar renascida.
e a roda da vida é permanente...
e nossa evolução uma consequência do destino que escolhemos...
e apenas nos preocupamos com a vida,
quando a morte é o complemento.

se morresse hoje.
morreria feliz
porque já morri antes.

outubro 19, 2009

Sobre o amor invisivel

...Era um coração vazio, morria de fome de amor. Era uma lástima olhar para aqueles olhos tão tristes, sem brilho. Faltava-lhes vida. Aquele desencanto com a vida não era de agora, já vinha de anos. Era uma dádiva penosa não amar. Mas quem pensa que lhe faltava atenção, se engana. Todos a amavam. Todos a queriam. Era motivo de brigas e desputa dentro da roda de amigos. Era própriamente o gás da coca. A última bolacha do pacote. Era o must. Mas a verdadeira desgraça daquela alma que escondia em seu ego as amarguras da vida era nunca ter amado. Olhava para as pessoas que a veneravam com ar de superioridade, como se todos tivessem a obrigação de amá-la e venerá-la. Mas escondia também um profundo medo de descobrir o amor. Era um conflito gerado por uma infância cheia de coisas. Tinha um pai que a amava mas era ausente e uma mãe castradora que demonstrava amor com presentes. Tinha 3 irmãos adotivos e cada um com um histórico difícil de vida. E não esquecendo de contar de sua gata persa, branca com olhos escuros que também fazia parte da família.
Mas aquele coração, não sabia amar. Era duro. Era frio. Tratava aqueles que a amavam como objetos de uso. Fazia deles coleção. Era como cuidar de pequenos bibelôs de loja de 1,99 . Não tinha a menor manha em afetividade. Podia sentir um vento frio quando alguem se aproximava dela. Já com seus 29 anos, havia tido alguns homens na sua vida, todos apaixonados e estilo homem-cachorrinho, lambiam seus pés. E já havia aventurado com algumas mulheres também, mas só para saber o que era. Meras aventuras e experimentação. Digamos que as mulheres também babavam nela. Cada conquista era um ego mais inflado e um coração mais vazio. Sentia-se perdida, sem rumo. Não tinha consciência da frieza que era. Confundia com Poder. Achava-se a mulher Poderosa. E o que lhe faltava era amor. Íria seguia seu trajeto rumo à faculdade. Cursava Direito em uma das mais visadas Faculdades do País. E no estacionamento encontrou João, um rapaz moreno de olhos claros. Uma visível descendência italiana. Tinha um corpo perfeito e um sorriso malicioso. Íria sentiu suas pernas tremerem e seu coração bater mais forte. Íria sentia algo que nunca havia sentido. Íria precisava saber mais sobre aquele ser encantador.
João era de familia simples, um moço educado. Íria o descobrira no estacionamento. João trabalhava lá. Íria simplesmente, se foi. Guardou seus sentimentos. Nunca ninguém soube o que se passou com Íria naquela tarde.

outubro 14, 2009

angústia

Um dia de sol e um céu índigo. E um peito doído. Uma alma que sofre silenciosa. Caminho pelas ruas do centro e meus passos são coerentes. Cada passo um pensamento. Um sentir, Um intuir. Minha angústia se desfaz a cada caminhar. Pessoas passam por mim, cada um com seus mundos particulares, seus encontros, suas despedidas. Suas vitórias e suas derrotss. Todo tipo de pensamento passa por minha mente. Posso captar intuições alheias. Posso sentí-los no fundo da alma. Mesmo assim não desconcentro de meu proprio pesar. Procuro distrair-me com a energia de bem estar do dia. Me aconchega e acalma. Sinto-me um pouco mais aliviada. O que me preocupa, não é algo meu, é o que está ao meu redor. Tudo se faz e desfaz. Uma preocupação vã. Um estado de espera. Um desespero já esperado. E nada se resolve. Apelo para a ajuda Cósmica. As energias existem e são manipuláveis. O Cosmo poderá me ouvir e atender meu apelo. O que peço não é muito, é apenas paz. É harmonia. Só. E um vento sopra meus cabelos e sussurram em meus ouvidos. Sinto uma breve onda de paz.Talvez seja apenas a manifestação de um desejo. Talvez seja a realidade. Talvez o Cosmo. Quem sabe? Quem sabe?

outubro 10, 2009

sento una chiusura del ciclo. Un grande cambiamento sta arrivando. Non so esattamente qual è la verità. Ma è vicino al vento e la pioggia. può essere buono o cattivo. Dipende dal momento che la mia anima vivrà.
Appena so che avverrà...
niente di più.

cuore

Tinha um corpo desproporcional, uma cabeça gigante e os pés pequenos. Seu ponto de equilibrio era duvidoso, desequilibrava-se muito facilmete, pois seus pés pequenos não tinham estrutura para sustentar seu corpo. O tronco era roliço, suas pernas curtas e seus braços pareciam nitidamente mais alongados do que normalmente seriam. Mas o que mais chamava a atenção naquele ser disforme era a parte do tórax. Tinha um ponto muito avantajado no lado esquerdo. Era uma montanha que se movimentava. Ali batia um coração. Um coração mole de gelatina. Médicos especialistas pensavam em fazer um transplante, tirar aquele coração molengo e fazer geléia de mocotó e servir para aqueles que contribuíram com essa deformidade. Pois, o coração não sofria de uma deformidade natural, foi ganhando peso e consistência com o passar dos anos. Aquele coração não batia mais, so apanhava. Pois, no seu caminho só havia aqueles corações duros de doer. Aqueles corações que batiam sem dó nem piedade, e machucavam e deformavam o coração de gelatina. Ninguém entendia aquelas deformidades, mas a nautureza não mente, não engana. O coração não precisa mais apanhar. Necessita agora de um eterno descanso.

por enquanto

Alfa, Beta, Lambda, Omega...cada letra com um significado, o início, o fim. Como tudo na vida. Uma breve caminhada e sinto-te perto. Um vazio me toma, pois dele faço parte. Me disfaço, me surpreendo. Minha jornada solitária permanece mas já aprendi a lidar com ela, não me prendo, não me oponho. Deixo ir. Meus olhos tentam alcançar o mais distante possível, mas é apenas um vão esforço, pois o horizonte permance nublado e minha miopia me limita ainda mais. As coisas não acontecem por acaso, e antes mesmo do começo já visualiso seu fim. E nada sai diferente daquilo que vejo. Minha visão é de longo alcance, mas apenas vejo aquilo que quero ver. Ignoro o que não me agrada. Tenho pena daquela que mente, que tenta enganar, talvez a si mesma. Para esse tipo de gente deixo meus pesares, e desejo-lhes sorte. Degusto meus gestos nobres e tento me disfazer deles porque de nobreza não me basta viver. A nobreza está prestes a extinguir-se. Prefiro agora deitar-me no puro chão, na sargeta. Mas nada me abriga. Nada me faz querer encontrar o conforto. Em breve ,Me jogarei no mundo e me tornarei uma qualquer, sem ponto de partida. Nem porto de chegada. Apenas o ir...sem rumo nem destino. E isso me faz feliz, simples e direto. Deixar para trás tudo aquilo que me aflige e agoniza. Deixar meus marasmos e minhas dores, meus encantos e dissabores, minha vida e meus amores. Quero apenas partir, sem beijos de despedida. Sem abraços demorados. Sem sorrisos nem lágrimas. Apenas me deixem ir, porque meu destino é a distância e a minha busca continua. Enquanto você não dorme.

Enfim

...Os dias nunca são iguais e me sinto embriagada de sono, mas é uma sensação agradável. Tenho mesmo assim, uma consciência clara e segura. O corpo que me abriga é equilibrado e sou sensata nas coisas que faço ou penso. Dia a dia enfrento no espelho uma estranha que se despe. Minha nudez é específica da alma. Mas ainda sofro resistências. E me protejo de injúrias. Peço ajuda às estrelas e quando me concentro na verdade vermes aparecem com seus aspectos asquerosos e tentam de toda forma me tirar a concentração. A vida segue seu rumo. Encontros e desencontros são constantes no caminhar. Posso ver feixes iluminados se formando na estrada, e minha intuição se enche de esperança. A vida, não é só aquilo que meus olhos vêm. É além disso. Meu estado de lucidez vai além de mim mesma. Além do que posso limitar. O limite é a morte da esperança. Limitar-se é definhar diante de uma grande oportunidade. Vivo e só. Não crio expectativas em volta da minha vã existência, ela não servirá para muita coisa. Ela apenas me mostrará o meu devido lugar. Abraço um velho amigo e sinto sua força. Percebo suas decepções. Concluo sua existência. Existe algo de amargo em sua memória. Existe uma necessidade de desapego. Existe um chamado para a transcendência. Em que grau de introspecção me jogo? Por vezes, sinto medo de meus próprios sentimentos. Sinto medo da minha introspecção exarcebada. Voltar-se para dentro é também deixar de viver. Pois me perco em meus caminhos intrínsecos. Auto-mutilo meus desejos. Parece que não vivo, apenas desmereço. Meu sorriso se contrai. E a inquietude se posta em meu peito. Não gosto de gostar. Luto pelo desapego forçado. É como nadar livremente, depois de treinar anos amarrada a uma boia. Sim, meus dias são mais luminosos quando me sinto tocada por uma energia de amor, mas meu ego se desmonta quando isso se torna quase essencial no dia a dia. É como morfina. Um dia te conforta e depois te torna dependente para um dia te jogar na sargeta. E a sensação de amar é de conforto, um conforto viciante que mais tarde te faz mal. Quebra teu Ego, te faz imprestável. E dependendo da dose é quase irrecuperável. É um golpe duro para a alma. É como estar vivo e sentir-se putrefando como um corpo moribundo. Enfim, os dias nunca são iguais...

outubro 08, 2009

E...

E se um dia Deus se manifestasse em imagem, como seria?
Uma imagem de um homem velho barbudo parecendo Karl Marx? Ou manifestaria sua expressão no rosto de uma bela mulher? Seria um pintura? Uma paisagem? O que Deus escolheria para expor sua face? Tem gente que jura ja tê-lo visto e ouvido. Tem gente que desacredita, tem gente que finge ver, e tem gente que ignora a presença Divina. E Ele está aí, o tempo todo, em todos os lugares. Dentro de nós. E por todo Universo.

outubro 07, 2009

..

Queria mais uma taça daquele vinho com bolinhas. E com ela poder me jogar em um mundo irreal. Mas, minha mente é clara e nem sequer uma garrafa de vinho me tiraria da realide. Um caldo de cana ou uma coca gelada. Não importaria a bebida que me ludibriasse, não daria nome à droga que conseguisse me jogar para o mundo da ilusão. Não saberia mesmo distinguir suas diferenças seus rótulos. Queria sim uma chance para sonhar. Queria a vida de novo, perder a noção dos passos duros, do coração ingrato. Queria uma poção que me fizesse esquecer por uma fração de segundos aquilo que sou. E tudo o que penso ou sinto. Mas nada, nem ninguém mudará minha realidade, nem mesmo aquilo que chamo felicidade.

outubro 06, 2009

insônia

As noites sao curtas para as boas horas de sono e longas quando se rola na cama. Vê-se as horas não passarem, ouve-se grunhidos, chiados, batidas. Vê-se a lua se deslocando e as estrelas se despedindo. Fecha-se os olhos e nada acontece. O corpo sob constante tensão. E nem um breve relaxamento ajuda. Que longa a noite. Meus olhos ardendo e meu corpo movendo-se na cama. Não há uma posição confortável nessas horas. Os pensamentos viajam para o passado, para o futuro. Pensa-se na possibilidade de ser triste e de ser feliz. Vê-se no caos e na luz. Os bichos noturnos vêm e vão e o dia amanhece. Os pássaros já anunciam o inicio do dia. SInto um cansaço físico, mas uma sensação de contentamento me toma. Há algo no ar que ainda não consegui diagnosticar. Há ums energia boa, um presságio de bons fluídos. Há a esperança da vida. E tudo vindo após uma noite mal dormida .

outubro 05, 2009

moi même


Um dia lindo e quente de sol, e uma noite agradável. Hoje caminhando nas ruas do centro, senti gostas de suor, coisa que há tempos não sentia, me senti estranha, como quando menstruei pela primeira vez. Uma sensação única de desconforto e de descoberta. Um momento de espanto... '-Oh o que é isso?' Sim, transpirei, mas foi mínimo e rápido e meu raciocínio mais rápido ainda me propôs um texto. Um Ode ao suor. E há anos que venho me questionando sobre a vida e o comportamento humano. Sobre nossas fragilidades e nossos temores. E a hipocrisia das pessoas que impera no dia a dia. Como falam e fazem besteiras e temem assumir seus própios preconceitos. Uma porção de gente diz que a inteligência é o fundamental em alguém, mas as mesmas pessoas sempre acabam escolhendo um bonitinho burro. E de que vale a beleza? Uma beleza oca sem conteúdo, sem atitude. Um simples gesto e o ogro se torna príncipe e uma simples palavra e a princesa se apaga. Mas o preconceito sempre reina e impera. Tenho defeitos e já tive mais. Tenho coxas grossas e dentes tortos, peito de mais e bunda de menos...meus olhos não enxergam bem mas minha intuição me faz ver além da alma. Já ouvi muito e fiz que não vi, já senti rejeição e mostrei meus talentos.. e descubro no dia a dia a face verdadeira das pessoas. Sendo como sou, sou verdadeira e vejo a verdade. Não sei até que ponto me faz bem a realidade, mas cravo meus pés no chão diante das mais bizarras situações. E justifico minha realidade. E crio um pouco de mim. E respeito o muito do outro. E enfim sigo sem medo...o caminho do que penso ser verdade.

outubro 04, 2009

náusea

Hoje escrevo sem direção, sem opção.
Meu bom senso se perdeu, minha orientação perdeu a noção. O dia se passou um espasmo momentâneo se fez. Minha cabeça lateja e sinto minhas víceras se contorcerem. Minhas emoções se misturam com meu estado crítico de sentir o mundo. Não tenho olhos para o amanhã, pois tudo é tão distante quando se vive constantemente o presente. Meu corpo é frio e nem se quer uma gota de suor expele. Sinto-me como se as portas se fechassem, porque sou bizarra, eu não suo. Devo causar inveja a muitos, mas estranhamente me cobro o tempo todo. Onde está o meu suor? E indiferente de tudo, minha mente vagueia e ronda a lâmpada como um inseto nervoso. Às vezes posso sair pelo teto, pois tudo gira ao meu redor. È a náusea que pega mais, sinto uma vontade imensa de por o que tenho dentro para fora, e não estou falando de comida, é de emoções. Sinto uma onda de saliva doce-amarga porque as emoções que retenho são de carinho e não de mágoa. O amargo é o medo que se aloja. Um medo ingrato de mostrar a verdadeira face doce, por trás de uma carcaça dura. De um coração imponente. A náusea sossega o âmago que sofre, tira a atenção do Caos. Mostra o lado físico que se esconde. Meu caminho é de pedras mas minhas pisadas são suaves, delicadas. Olho bem por onde piso e o que escolho não espero resultado, apenas jogo como uma chance para o destino. O mérito que decida o que fazer.
Enquanto isso, tudo está longínquo e sereno, e suspendo minhas expectativas, já vivi e morri delas e simplesmente as deixei de lado. Já não preciso mais delas, já não me são mais bemvindas e sim as trato como simples acaso. Um pequeno acidente. Meus olhos estão pesados e não raciocino muito. A luz incomoda, mesmo me sentindo numa leve penumbra. Tento esquecer de momentos relapsos e sem noção. Meu momento agora é viceral. É a náusea. Seria o resultado de conflitos emocionais e de dois goles de rum. Seria um estado de embriaguêz da consciência. Uma tentativa frustrada de excluir os erros do inconsciente. Uma tentativa de digerir e expelir aqueles velhos conteúdos implícitos. Assim se foi, assim se vai, de tempo em tempo precisamos da náusea para curar. Precisamos que nossas víceras gritem e supliquem e que devemos uma atenção redobrada para nossos conteúdos internos. Precisamos gritar e implorar perdão para nosso corpo, para nosso coração. É o momento exato de crescer. E é apenas um dia a mais, ou um dia a menos. Um dia a menos para nos maltratar. Um dia a mais para aprendermos. E quando o desespero rondar nossa porta, fingimos não estarmos. E se ele insistir, abrimos a porta fitamos seus olhos e enfrentamos sua fúria. Nosso peito se abre, nossa mente também. E basta seguirmos em frente, mesmo quando tudo pareça tão distante.

DIA

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PARTY!

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Formiga Lispector

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